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Sobre o Museu

Exposição

Histórico


O Museu das Reduções é a realização do sonho de quatro irmãos, nascidos nas primeiras décadas do século passado, na cidade sul-mineira de Campanha. Ênnio, Décio, Evangelina e Sylvia trilharam seus caminhos durante suas vidas, residindo em cidades diferentes e exercendo atividades profissionais diferentes. Ênnio radicou-se em Juiz de Fora, onde trabalhou por 35 anos no Banco de Crédito Real de Minas Gerais, até aposentar-se. Lá viveu até os seus últimos dias. Décio radicou-se no Rio de Janeiro, trabalhou como piloto comercial e diretor da PanAir do Brasil, até sua extinção, mudando-se para Lisboa, ingressou na Transportes Aéreos Portugueses (TAP), aposentou-se e retornou para a terra natal, Campanha, onde passou os últimos anos de sua vida. Sylvia, também funcionária do Banco de Crédito Real de Minas Gerais e Evangelina, funcionária do Estado de Minas Gerais, se radicaram em Belo Horizonte, trabalhando até a aposentadoria no Banco de Crédito Real de Minas Gerais e no Estado de Minas Gerais, respectivamente. Lá viveram até falecer. Dotados de enormes habilidades manuais, de grande sensibilidade artística e de muita disposição, os Irmãos Vilhena, como são carinhosamente conhecidos, se uniram para tornar realidade um projeto de vida: deixar um legado artístico e cultural de grande valor. Assim, logo após as aposentadorias, já totalmente disponíveis, começaram a planejar a execução do Projeto Redução, um parque temático baseado em similares existentes pelo mundo, mas com um grande diferencial: um acervo que fosse significativamente brasileiro, produzido de forma totalmente artesanal (com os mesmos materiais empregados nas construções originais) e totalmente executado por eles, e tão somente pelos quatro. Para tanto, basearam-se em uma réplica da Igreja das Dores, de Campanha, que Ênnio acabara de fazer, como hobby. Fizeram contato com as Secretarias de Estado da Cultura dos estados brasileiros, buscando indicações de monumentos arquitetônicos locais, representativos que poderiam ser reproduzidos. As muitas secretarias que atenderam ao chamamento proporcionaram aos Irmãos Vilhena um rico universo de pesquisas e trabalhos a serem desenvolvidos. Munidos, então, de uma grande relação de monumentos arquitetônicos dos quatro cantos do Brasil (cerca de 52), puseram-se a viajar pelo país, sempre com recursos próprios, com o intuito de fotografar, medir e desenhar as mais diversas relíquias arquitetônicas nacionais, preocupando-se com cada detalhe das edificações, que foram minuciosamente escolhidas, levando-se em conta a representatividade, o tamanho, a riqueza de detalhes, a beleza plástica, os materiais empregados e a diversidade da natureza dos prédios: igrejas, palácios e palacetes, fortalezas, casarões coloniais, casas comuns, casas de fazendas, sobrados, usinas, etc. Concluída a fase de levantamentos, pesquisas e definições, os Irmãos Vilhena passaram a trabalhar na definição de um local apropriado para sediar o parque, então denominado de Projeto Redução, surgindo como primeira opção, até natural, a sua implantação na região de Campanha, no Sul de Minas. A opção foi logo desprezada em função do mau momento que o Circuito das Águas atravessava, quanto ao fluxo turístico necessário à manutenção do empreendimento, fator que acabou direcionando o foco para a região de Ouro Preto, principal destino turístico do Estado. Paralelamente a estas definições, os Irmãos Vilhena iniciaram a complexa produção das réplicas, já instalados no distrito de Amarantina, no município de Ouro Preto, em uma simples e humilde casinha, bem no centro. Acabaram por adquirir com recursos próprios um grande imóvel, de 6.000m², então na área rural do lugarejo, em um recém-lançado condomínio, onde iriam erguer o prédio definitivo que abrigaria as réplicas. Começava a surgir, de fato, o Museu das Reduções. Uma equipe de meninos residentes no distrito foi logo composta, para as tarefas mais fáceis, como produção de telhinhas, tijolinhos, pequenos acabamentos, etc., num verdadeiro mutirão de cidadania, uma vez que, além de aprenderem o ofício, os meninos recebiam orientações básicas como higiene pessoal, saúde bucal, etiqueta, cidadania, etc., e, também de materiais escolares, roupas, sapatos e um auxílio financeiro, o que marcou muito a atuação dos Irmãos Vilhena no distrito de Amarantina. A técnica da construção, as formas diversas, as ferramentas e grande parte da mão de obra do acabamento final eram encargos de Ênnio, o artesão-mor. Décio, detentor de grande capacidade intelectual, além das enormes habilidades manuais, produzia em madeira verdadeiras joias, como balaústres e canhões torneados a mão, portas almofadadas, treliças, persianas, janelas e marcos de portas, etc., se incumbia, também, do trabalho mais racional como os cálculos, as escalas, os desenhos e plantas. Sylvia, a mais sonhadora deles, era a responsável pelos primeiros desenhos, pelas pinturas, pelas esculturas em pedra-sabão, trabalho de ourives, com pequenos formões, pincéis e outros. Evangelina, o fiel da balança, era a grande gerente. Cuidava do pessoal, dos pagamentos, da estrutura da casa, da comida, das viagens, além de fotografar e, principalmente, com sua forte personalidade, cuidava de amenizar os constantes conflitos, típicos dos temperamentos dos grandes artistas. À medida que as réplicas eram produzidas e concluídas, surgia a necessidade de ampliação dos pequenos espaços que possuíam na casinha em que viviam, o que os levou à locação de outra casinha, próxima do terreno onde seria instalado o museu, que funcionava como depósito de materiais e de réplicas prontas desmontadas. Paralelamente, iniciava-se a construção do prédio que abrigaria o museu, uma concepção moderna projetada por Décio. Como a necessidade de recursos financeiros ia crescendo, um verdadeiro périplo foi iniciado à busca de patrocínios, onde os insucessos constantes não foram capazes de desanimar os quatro irmãos, que se desdobravam para arcar com os custos da grande obra.

Até que uma luz vinda da Alemanha, através da Lateinamerika Zentrum e.v, de Bonn (LAZ), modificou todo o quadro. Graças à intervenção pessoal de seu presidente, o deputado alemão Hermann Gorgen, a entidade aprovou o apoio financeiro, a fundo perdido, ao Projeto Redução, da ordem de 90 mil marcos alemães. Com esse recurso, aliados a novas pequenas doações efetuadas pelo Banco Crefisul S/A, Banco Bamerindus do Brasil S/A, Divinal Vidros, Vidraçaria Catarina e Alba Química S/A, além dos recursos da família, o prédio principal e o pequeno prédio que abrigaria a Escola de Artesanato foram tomando forma e o Museu das Reduções nascendo... Com ele, nasceu a Escola de Artesanatos, onde moças e senhoras da comunidade, por cerca de quatro anos, aprenderam corte e costura, tricô e crochê, desenho, artes em bambu, etc., agregando ao projeto original um grande conteúdo social. Em 26 de março de 1994, era chegado o grande momento. O então prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo de Araujo Santos, hoje (2014), presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), grande incentivador do trabalho dos Irmãos Vilhena, na presença de grande parte da família Vilhena, de autoridades locais, regionais, estaduais e nacionais, da comunidade de Amarantina, de Ouro Preto e região, cortava a fita inaugural e entregava ao trade turístico e cultural de Ouro Preto, de Minas, do Brasil e do mundo o Museu das Reduções. Durante os primeiros dez anos, de 1994 a 2004, o Museu das Reduções experimentou todo o caráter lúdico da gestão dos próprios artistas, já encantando os milhares de visitantes, mas sem maiores ambições. A partir de 2004, com o falecimento de Evangelina, veio a reclusão de Sylvia e o museu passou a ser gerido pelo seu diretor administrativo e financeiro, Carlos Alberto Xavier de Vilhena, filho de Ênnio, que abandonou carreira vitoriosa como alto executivo do mercado financeiro para fixar-se, definitivamente, em Amarantina e dar prosseguimento ao trabalho da família. Com um verdadeiro choque de gestão, otimizou o funcionamento da casa e deu visibilidade ao trabalho, através de agressiva política de marketing, culminando com o reconhecimento obtido junto ao Guia 4 Rodas Brasil, de 2006, que elegeu o Museu das Reduções a Melhor Atração do Brasil na categoria Contribuição Artística, título mantido até os dias de hoje, em função do não surgimento de nova premiação na categoria. Nesse período, o museu registrou média de público, superior a 2.000 visitantes mês. Apesar dos momentos difíceis que se sucederam, o museu atraiu investidores e parceiros de peso, que o recolocaram nos trilhos rumo ao sucesso que lhe está reservado. Citamos como fatos marcantes, a efetiva participação na fundação do Sistema de Museus de Ouro Preto, os patrocínios da Transcotta Ltda., Microcity Computadores e Sistemas Ltda., da EMTEL Ltda., da CEMIG, da CEMIG TELECOM e da GERDAU, além da firme parceria com o Instituto Nacional de Desenvolvimento e Integração Cultural (INDIC) na execução de projetos de educação patrimonial. Merece, ainda, destaque especial, a participação da professora Terezinha Lobo Leite, especialista ouro-pretana em educação patrimonial que, em uma releitura fantástica do acervo do museu, praticamente o redescobriu como fonte inesgotável de conhecimento nas áreas da matemática, história, geografia, ciências e artes. A partir das réplicas, alunos do ensino fundamental têm recebido informações e conhecimentos importantes para a formação da consciência preservacionista e o desenvolvimento do sentimento de pertencimento, contribuindo para o surgimento de uma geração comprometida com a preservação de nossa memória e de nosso patrimônio histórico, material e imaterial, tudo isso associado às disciplinas curriculares correspondentes. Enfim, dessa forma, o Museu das Reduções tem merecido o reconhecimento de autoridades, intelectuais, artistas, das grandes empresas e do público em geral, como um importante equipamento turístico, cultural e educacional, que orgulha Ouro Preto, Minas e o Brasil. O Museu das Reduções, com seu contexto, é único e atrai o público pela beleza plástica de suas réplicas, pela fidelidade e pela riqueza de detalhes, proporcionando aos espectadores a mesma emoção que sentiriam diante dos monumentos originais. Diferencia-se dos demais parques temáticos do mundo pela concepção de suas réplicas, confeccionadas com os mesmos materiais empregados nas edificações originais, sem produtos industrializados e/ou sintéticos.


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